segunda-feira, 2 de julho de 2007

Se..

SE
Rudyard Kipling
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Se es capaz de manter a tua calma, quando todo mundo em redor já perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando e para estes, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou enganado não mentir ao mentiroso, ou sendo odiado sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de sonhar ? sem fazer dos sonhos teus senhores;
De pensar ? sem que a isso só te atires;
Se encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires tratar da mesma forma estes dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas em armadilhas as verdades que disseste, e as coisas por que deste a vida estraçalhadas, e refaze-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada tudo quanto ganhastes em toda tua vida, e perder e ao perder, sem nunca dizer nada, resignado tornar ao ponto de partida:
De forçar coração, nervos, músculos, tudo, a dar seja o que for que neles ainda existe, e a persistir assim quando, exaustos, contudo resta vontade em ti, que ainda ordena:
Persiste;
Se és capaz de entre a peble, não te corromperes;
E entre reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
Se és capaz de dar segundo por segundo ao minuto fatal todo o valor e brilho;
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo,
E ? o que ainda é muito mais ? és um homem meu filho.

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